Aquele olhar me fazia sentir o abraço do amor de mãe. É esse o tipo de coisa que governa os movimentos sociais? Ou somos simplesmente muito fracos, eu e meus botões, eu e as pessoas do diretório?
Dizer alguma coisa que vai se esvaziando a cada palavra... sentindo que estamos destruindo um coletivo --- fantasma que foi convocado pra me calar? Sobretudo, não me sentia bem em posição alguma.
Na manhã, eram os quatro ministros... "1984, batendo na sua porta da frente".
Pegue todas as suas memórias, coloque-as na suuuua bolsa.
Não pude dizer muita coisa coisa porque, quando se invoca um fantasma de boa gestão, o que vamos dizer? Individualizar a responsabilidade? A questão estratégica de "onde pressionar" se reposiciona como "não é culpa minha".
Agora que posso responder:
--- Dane-se, é com a sua responsabilização que nossa máquina funciona. Dane-se mesmo!
Viaje pelo mundo, retorne ao coelho do sonho, o coelho do circo, o que senta sobre a cabeça, retorne ao pesadelo.
Volte.
Nada mais a declarar. Este é o esvaziamento da interioridade.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Todos os dias confluirão indefinida e inevitavelmente para o esgoto: apenas essa imagem para expressar um dia específico, em que me sinto no esgoto. Amanhã, eu sei, pode haver sol, e uma brisa de esperança pode reanimar qualquer babaca. Mas não sinto isso agora. Sou um babaca irreparável, até que isso passe. Mas também não sinto que passa. É infinito.
Posso ler cem páginas sobre minha substância constituinte, o excremento. Que me será adicionado? Um pouco de pólvora no coração, entre os dentes, para falar e tossir maus argumentos, péssimas intenções - piores funções. O mundo ocorre à volta e eu sou a falha que persiste imóvel em seu centro (um centro cujo pensar é também falha: falha política, não a mitológica).
E deixo então de pensar em mim, porque a expressão mesma disso tudo é falha serializada. Estendê-la é prolongar o seu efeito no mundo. Silenciá-la é necessário e tal deve ocorrer pela via radical. Nada mais.
domingo, 15 de março de 2015
A existência em chamas do quase-adiante
Fazer isso tudo observando de longe o efeito da prática presente; a saber, aquela de tomar decisões por meio da guerrilha reacionária-resplandescente das palavras num underground tão inacessível quanto este aqui; um pedaço especialmente sombrio de um cybermundo mais amplo do que Romeu (o homem morto) imaginara;
Eis, exatamente, que as vias do mundo se ampliam e fogem nas sequências lineares de Pinus elliottis, que o Mesmo que carregamos em nossa transcendência se borra na multiplicidade que é essa estrada mesma, ou melhor, nessa mesma estrada, porém nunca a mesma e sempre vária como o destino de alguém que segue até o final essas trilhas entre os pinheiros, como sempre quisera eu fazer; alguém que acampa por ali, entre as colinas e vaga à noite, talvez com dois ou três amigos (porque a noite é demasiado vária para eu suportar sozinho).
Cada instante é um nada a ser tornado tudo;
Cada instante é uma morte possível;
A finitude em si mesma, no que ela traz de necessária ação no presente; necessário colapso com um passado em que essa visão da finitude (tão paranoica, diga-se de passagem) nos escapou em distrações e em prescrições paternas e maternas; prescrições de superego, de mais-valia de ego. Egos feridos a serem reparados na promessa de um sempre-novo (filho) que aqui sabemos(-nos) perfeita e inexoravelmente esgotável, consumível como nossos minutos (exatamente onde somos tempo queimando, para uma existência em chamas no quase-adiante).
Esse sentimento esgotado que trago, ou que (merda!) já não trago; esse que só pude trazer (e tragar) por pouco tempo, seja o que for; a ele me quero ligar novamente, com ele quero viajar pelo mundo, pela vida, sabendo em cada instante o quanto vale a respiração. Sabendo o quanto valem as respirações de cada um dos seres que habitam o mundo todo.
Sem Retorno;
domingo, 8 de março de 2015
Três de março;
Tecido vivo
Enjaulado no espelho
Produção de produção
tecida no relho;
O problema do espaço
(Que as palavras cortam ou alongam?)
Realidade estendida
Representação... serrada?
O vário
Ou o nada?
A sobra
E a dobra.
A cobra...
Uma bela obra.
E nós num escuro
Tão cheio e sem arte
Sem todo, sem parte
Nem toque que farte!
Encontros, encontros
E o toque, puxa e larga
E vibra e briga à toda
E arrraasssta.
Enjaulado no espelho
Produção de produção
tecida no relho;
O problema do espaço
(Que as palavras cortam ou alongam?)
Realidade estendida
Representação... serrada?
O vário
Ou o nada?
A sobra
E a dobra.
A cobra...
Uma bela obra.
E nós num escuro
Tão cheio e sem arte
Sem todo, sem parte
Nem toque que farte!
Encontros, encontros
E o toque, puxa e larga
E vibra e briga à toda
E arrraasssta.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
A volta e o fim de um vão nas folhas do caderno
Retorno a ti, imensidão tão simples do papel pautado.
Deparo então com meu colchão, jazendo ao lado.
Com minha mão sobre esse vão por ti deixado
Retorno a ti, é o vão tão simples do papel pautado;
Com minha mão no coração, peito encharcado,
E o coração sobre o colchão, longe do estrado;
Estrado: linhas que se vão (está quebrado!).
Há quanto tempo durmo em teu trançar cansado?
E o leito em queda a quanto tem significado
Tão maior que o estrado quebrado?
Retorno a ti, ó imensidão simples
Do papel pautado.
A haste entorta e a fenda encrava-se
Por dentro do buraco o buraco enerva-se e se dobra
A cama caiu e no chão definha
Há tanto tempo
E não fomos nós mesmas
(Eu e tu) que a concertamos?
Quando fomos e ficamos, e vibramos!
Tão humanos...
A montanhosa superfície da cama quebrada.
Rochosa infância, crescer... saber de nada,
A ruidosa pele na fenda, machucada,
E o pulsar de cada tábua martelada...
Há quanto tempo esteve a cama pra ser concertada!
e Retorno
Nessa imensidão tão simples de um papel dobrado
O quebrar da cama é pautar sobre o papel pautado;
O estrado só quebra a cama do meu coração acordado
Que jamais dormiu e jamais quebrou a cama acordado,
Que jaz ao lado,
Pois nós concertamos a cama
Quando consertamos na cama
Quando quebramos a cama
E rasgou-se o eterno retorno do papel
[que está rasgado!]
Deparo então com meu colchão, jazendo ao lado.
Com minha mão sobre esse vão por ti deixado
Retorno a ti, é o vão tão simples do papel pautado;
Com minha mão no coração, peito encharcado,
E o coração sobre o colchão, longe do estrado;
Estrado: linhas que se vão (está quebrado!).
Há quanto tempo durmo em teu trançar cansado?
E o leito em queda a quanto tem significado
Tão maior que o estrado quebrado?
Retorno a ti, ó imensidão simples
Do papel pautado.
A haste entorta e a fenda encrava-se
Por dentro do buraco o buraco enerva-se e se dobra
A cama caiu e no chão definha
Há tanto tempo
E não fomos nós mesmas
(Eu e tu) que a concertamos?
Quando fomos e ficamos, e vibramos!
Tão humanos...
A montanhosa superfície da cama quebrada.
Rochosa infância, crescer... saber de nada,
A ruidosa pele na fenda, machucada,
E o pulsar de cada tábua martelada...
Há quanto tempo esteve a cama pra ser concertada!
e Retorno
Nessa imensidão tão simples de um papel dobrado
O quebrar da cama é pautar sobre o papel pautado;
O estrado só quebra a cama do meu coração acordado
Que jamais dormiu e jamais quebrou a cama acordado,
Que jaz ao lado,
Pois nós concertamos a cama
Quando consertamos na cama
Quando quebramos a cama
E rasgou-se o eterno retorno do papel
[que está rasgado!]
domingo, 18 de janeiro de 2015
Encontro to say hi
Morra num segundo como a faísca que você foi;
Morro nesta labareda ideal apenas à frente numa linha quebrada pela realidade, justo onde não existo; Afundando meus pés na areia dramática do fim de toda poesia encontro-te ó coisa
Nó de tudo isso que desata tudo que sou e me suspende à espera que sejas,
Você
Tudo que não fui.
E todos rabiscos que deixo para trás ensina-te o ponto que não deves fazer
Na desconexão que vibra é tudo isso que me convoca a escrever para você num único gesto de crédito
O teatro vale pelo fim do teatro
Quanto a operação desfez o que não sou
Quanto foi
É uma plástica...
E me torno alguém, no fim das contas - finalmente alguma coisa nesse espelho borrado
Esse segundo espelho tão eu que não posso ver mais
nada mais
nada mais
Destruído e então retoma seu lugar na minha vida quando são os outros tantos os outros irmãos todos os fraternos ao nosso redor que te desejam ó labareda da existência
Tudo o que tenho feito terá sido apenas tu, maldita?
Terás feito tudo por mim enquanto queimo como a cera enquanto tu será?
Encanto tusso e -há
E nada disso!
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Seu maldito cara-pálida
Leia dez páginas a mais do romance maldito
Pseudo-anarquismo burguês como Roberto Freire pode ter escrito
Como pode caralho
Episódios para A Grande Família
Negrão Puta "Bati nela" e demais erros dos meados exatos dos anos 60
Ou erros meus admita maldito covarde
Leia as páginas e escute
erros de outros homens errantes dessa vez dos anos 80
furiosos e peça-lhes o efeito oposto
daquele remédio chamado dramin
que não te deixa vomitar
a-saber-a-saber
vomite com um homem inimigo do homem
num meado menos exato
e dessa vez
80s os 80s
Esteja novamente
com pontualidade, alegria e um torpor maníaco-depressivo
ao redor da mesa
guaraná com açaí
aperte o play
descer
depois descer a lenha
era como falávamos
sentindo-se superhardcore em Gramado-city a bolha fora do mundo real onde menos pode haver solidariedade no mundo
seja você mesmo,
seu cara pálida.
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