domingo, 18 de janeiro de 2015

Encontro to say hi

    Morra num segundo como a faísca que você foi;
    Morro nesta labareda ideal apenas à frente numa linha quebrada pela realidade, justo onde não existo; Afundando meus pés na areia dramática do fim de toda poesia encontro-te ó coisa

    Nó de tudo isso que desata tudo que sou e me suspende à espera que sejas,
    Você
    Tudo que não fui.

   E todos rabiscos que deixo para trás ensina-te o ponto que não deves fazer
   Na desconexão que vibra é tudo isso que me convoca a escrever para você num único gesto de crédito
    O teatro vale pelo fim do teatro
    Quanto a operação desfez o que não sou
    Quanto foi
    É uma plástica...

    E me torno alguém, no fim das contas - finalmente alguma coisa nesse espelho borrado
    Esse segundo espelho tão eu que não posso ver mais
    nada mais
    nada mais

     Destruído e então retoma seu lugar na minha vida quando são os outros tantos os outros irmãos todos os fraternos ao nosso redor que te desejam ó labareda da existência

    Tudo o que tenho feito terá sido apenas tu, maldita?
    Terás feito tudo por mim enquanto queimo como a cera enquanto tu será?
    Encanto tusso e -há

    E nada disso!

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Seu maldito cara-pálida

    Leia dez páginas a mais do romance maldito
    Pseudo-anarquismo burguês como Roberto Freire pode ter escrito
    Como pode caralho
     Episódios para A Grande Família   
    Negrão Puta "Bati nela" e demais erros dos meados exatos dos anos 60
    Ou erros meus admita maldito covarde

    Leia as páginas e escute
    erros de outros homens errantes dessa vez dos anos 80
    furiosos e peça-lhes o efeito oposto
    daquele remédio chamado dramin
    que não te deixa vomitar
    a-saber-a-saber

    vomite com um homem inimigo do homem
    num meado menos exato
    e dessa vez
    80s os 80s

    Esteja novamente
    com pontualidade, alegria e um torpor maníaco-depressivo
    ao redor da mesa
    guaraná com açaí
    aperte o play

    descer
    depois descer a lenha
    era como falávamos
    sentindo-se superhardcore em Gramado-city a bolha fora do mundo real onde menos pode haver solidariedade no mundo

     seja você mesmo,
     seu cara pálida.

domingo, 28 de dezembro de 2014

28 de dezembro

   E parece que encontrei um novo espaço onde escrever é tranquilo... quer dizer, nada disso é mais como uma prescrição pseudo-científica sobre a vida cotidiana. Apenas um diário de campo do "estar vivo", uma ferramenta possível para estar em meio à civilização. Nada de "melhor possível" em detrimento da plasticidade do vivo orgânico.

   O infra-ego funciona como pode; corpo sem órgãos algum... trata de organizar debaixo os órgãos necessários para que sobreviva o copo (essa tarefa é dada a todas as formas de vida).

   Tenho pensado sobre as estéticas da existência (uma organização pré-pensada pode impedí-las de realmente existir... que será essa obra de arte que conta com moléculas inesperadas...?). O "micro" da micro-política, devir minoritário que inocula seu funcionamento numa grande e poderosa bactéria. Tudo isso que funciona debaixo do seu nariz, se você é um "Eu" com nariz.

   E hoje eu pude dançar como um ser perdido em meio a todos eles e apenas ser;
   Hoje pude também chamar a atenção da velha Drugui para a mensagem que ela precisa  ler para que eu faça valer um aprendizado histórico sobre um não-apreendido de nosso antigo amor... ou melhor, para que eu possa compartilhar moléculas que creio que podem ajudar-nos a localizar melhor o que aconteceu numa grande história das contingências.

   Só isso. Abraços.

sábado, 27 de dezembro de 2014

   À estranheza de sempre, à estranheza de existir,
   Qual seja seu valor - tão mal a temos julgado,
   Quero dar voz agora, voz na ágora,
   Mas qual seja seu juízo - tão mal tem sido valorada,
   Devo dizer...

    À estranheza de existir, porém, é claro,
    Não restaria existir se ganhasse etiqueta,
    E bom valor, nesse mundo de valor-moeda,
    Estranheza, ora, não vende não.

    Dançar no deserto (com o Sol nascendo...?)
    Sem ter nossas intensões roubadas,
    Sim, isso envolve uma etiqueta que não nos cobre,
    Uma embalagem na qual não se cabe,
    Ou só o movimento rude e ineficiente à compra,
    Pode ser... só...
    O movimento de nossos quadris.

    De meus ossos pontiagudos são os furos no papel filme
    Que nos envolve para que sejamos vendidos a quilo
    Uns para os outros por aburguesamento ou
    Falta de identidade,
    Ou por que não pertencemos mais
    À classe proletária?

    Tudo o que funciona ao mesmo tempo impede você de pensar,
    Por isso mesmo esta estrofe é só um desabafo e risos
    (Rsrs)

    Dançar no deserto e acreditar nessa potência de existir
    E nas poucas boas ferramentas
    Ou nas ferramentas que são pincéis e tinta,
    Para "criar com".

    Nada de novo, enfim, além da coragem,
    Olhar com alguma crença para o corpo envergado do trabalho cotidiano,
    Olhar com alguma crítica para o corpo tampado para não funcionar,
    Exercer função - nos eixos deve estar,
    Dançando no deserto de novo,
    Ainda exerce, exerce claramente,

    E funcionamos desembalados justamente aí
    Não exercendo, sobramos,
    Comparados e descomprados,
    Excedentes, defeituosos: ocupar! resistir! nas prateleiras

    E brincar de amar por jamais deixá-las
    Mas explodir, pois somos incendiários,
    Caseiros e perigosos, enfim.

    Abraços!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH
não tenho mais ciência para vida diária além de viveeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeer





























aaaaaaaaaah não tenho mais

não tenho maiiis

domingo, 14 de dezembro de 2014

Pela suspensão da paranoia primeva

Nos mandam aproveitar o clima de Eureka e escrever mais.

Respondemos: mais fundo no poço da descoberta.
Mais fundo no posso da descoberta.

Posso. Posso. Posso.

Id, Eu, Supereu, são máscaras científicas que psicologizam o conflito político.
São formas psicológicas de enunciar que o problema humano é um problema político que envolve necessariamente um desejo que pode fugir à racionalidade. No século XX, diga "ISSO".
Diga: há um conflito psíquico, diga em meados desse século XX.
"ISSO funciona em toda parte", diga novamente, mais adiante nesse século de araque. Diga para que seja possível enunciar que ISSO é político ainda que não seja racional. Que há loucos na pólis, ou seja, que o fato de que algo escape ao Mesmo da nossa função linguística (a identidade) não o faz deixar, por causa disso, de ser político. É político, é político, diga já no fim do século XX.

Estamos aqui no começo do século seguinte e podemos então dizer, com alguma força de vontade: ISSO, EU e SUPEREU são máscaras psicologizantes do conflito político.

EU sou o mediador de meus desejos que são proscritos.
SUPEREU há uma lei que faz com que os desejos tenham de ser agenciados com alguns cuidados. Não posso fazer tudo o que desejo. Melhor ainda se eu puder dizer: não posso desejar qualquer coisa (produzir qualquer coisa, enfim, não posso fazer qualquer coisa). Melhor ainda se o que eu fizer puder me dar alguma sensação de estar fazendo tudo o que eu queria fazer.

Melhor, muito melhor.

E então mantém-se a máquina paranóica sob a máscara neurótica: é o paranóico que goza se chupar o dedo for ter o seio da mãe novamente. Tenha o melhor ato falho: tenha o seio da mão.
O sintoma vem de um problema que não tem como resolver? Uma política a nível do consenso impossível? A Lei universal do desejo fixado. Única saída: fingir que satisfaz (ao invés de desfixar e produzir outra coisa). É que ninguém pode justificar a castração para o ISSO.

Para onde ir? Deleuze e Guattari não solucionaram isso. Não houve fórmula para um desejo não captado. Apenas fórmula racional para fazer como se o desejo fosse ainda produtivo (é uma crítica bem dura). Reich tinha a fórmula para que a neurose se transformasse numa busca pelo nirvana. Conseguir foi o mais difícil. Nós (nós) enlouqueceríamos antes.

Mas encontramos que o melhor caminho é desnaturalizar a paranoia. Repensar a validade da totalização que coloca a paranoia no início de tudo: o desejo é, a princípio, totalitário? De fato, lhe respondemos de forma totalitária (lapsei total-otária) no bico que cala. No tapa que ensina. Tudo isso faz-se como se fosse oposição dialética: cortar um falo todo-poderoso, a despeito de que tudo isso já tenha girado muito: o totalitarismo foi passado à mãe (que precisa ser castrada) e, todavia, a castração da criança sucederá esse processo: castrar-se-á a criança da mãe aos dois anos e a mãe da criança aos seis. Tudo como se o desejo da mãe fosse totalitário e o desejo da criança funcionasse por espelho.

Grande e evidente pergunta: E SE NÃO FOSSE?

Essa não é, obviamente, uma pergunta para a psicanálise, mas sim para uma etnografia das comunidades libertárias.

Para nós, basta crer que a suspensão gradativa do totalitarismo pode ser a esperança para o fim da castração sistemática.

Observação

Preciso ainda adicionar uma observação sobre o sintoma da máquina simbólica satânica: que ela opera por ataque a espantalhos simbólicos, ou seja, que ela torna a angústia controlável pelo ataque a símbolos do conflito. A saber, o símbolo que dá nome a essa máquina (Satanás) tem funcionado como expiação de angústia através do ataque a um inimigo que já morreu há muito tempo (Deus). Atacar Deus tem sido expiação para problemas mais atuais, que são políticos, não Simbólicos e nem Reais no sentido lacaniano. Assim mesmo, tenho percebido que, apesar de Freud não ter podido enunciá-lo, são nada mais do que imagens para forças políticas o Isso, o Eu e o Supereu.

Rebele-se contra a opressão num único gesto obsceno diante da cruz.