sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Ódio de si mesma, culpada de existência, Lilá das anarquias

Uma esperança pode viver como uma borboleta e morrer como inseto sem contradição. 

Toda vez que volto aqui, é o pesadelo que retorna, é o mal-estar generalizado.

São as crises.


Mas culpada de existência, por essa eu não esperava

Cuidado que tive

Tentando ser somente Lilá das anarquias, Lobo engolido há muito tempo

Lobo digerido e cagado

Lobo no inferno

Culpado de existência.

 

Mas morrer e ir pro inferno

Isso sim é uma contradição

E quando o inferno é objetivo

Ninguém, ninguém, ninguém duvida

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

    Ansiosa, depois de tanto tempo, depois de ter descoberto tanto sobre mim mesma. Esse é o destino de Lilá, a desiludida. De volta ao velho e infame pedaço de terras virtuais, tentando lidar com a angústia. Angústia que agora carrego como minha, lobo que engoli, unhas que rasgam ainda a minha garganta.

    Volto e admite-se identação nos parágrafos.

    Im-

    Pressionante

    Um jeito engraçado de dizer que agora vivemos sem espaço-espaço-espaço. 

    Crescida e tentando ainda ser adulta, sentindo-me uma fraude, à margem ainda de Alba, a motoqueira. Sentindo-me muito mais Alziro, o carona. Mas o Ziro tinha as suas belezas, é preciso admitir, assim como eu acredito ter as minhas.

   Eu adiciono automaticamente, sem querer, espaço-espaço-espaço.

   É mesmo um jeito engraçado de dizer o que faço neste pedaço.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Livre

Apenas para registrar, porque finalmente:

Definir o que é o amor é uma questão menos relevante do que definir critérios pragmáticos de investimento afetivo...

"amar ou não amar", nem tanto, mas "passo atrás ou passo a frente", isso sim.

Amar... depois de tanto tempo e vivendo entre vocês, que falam aos poucos a verdade... Amar não é muito mais do que "sentir falta", "sofrer" ou "iludir-se", vocês mesmas/os é que disseram, dizem o tempo todo.
Como que num rastro do aval ontológico para a união heterossexual.
Nessa mesma esperança cósmica, um carimbo secreto de Deus ou algum vestígio de Seu toque, no canto da página, em qualquer lugar. Algo que diga que uma pessoa completa a outra, ou pode completar por algum tempo, ou que existe um sentimento programado para dar certo, rodeado por Desvios, Patologias do Espírito, etc., etc. que apenas complicam nossa jornada.

Não existe isso, exceto onde isso foi criado para dar sentido a uma decisão para a qual não houvesse volta¹.

Pecado é pensar que, cada vez mais, tem volta.

É só "deslizar".

1: Ou, ainda, outras novelas, é óbvio. Infinitas possibilidades. Mas, entenda-se, não existe "isso". Existem essas coisas, chamadas "amor" para construir belos sonhos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dîn

Diluído, descentrado, tão vasto,
quanto te dizem, estás sempre ao lado,
(Do lado errado)
Não,
quero dizer,
onde te querem.

Estás fora do fora, por isso em todas essas partículas, és tu mesmo,
Contingente como és.

Batata, quando digo e não é um tubérculo,
"Batata como és tu mesmo"
Batata de ser mesmo isso que eu disse que era mesmo
"Batata que és".

Longe como estás, frio às vezes e te busco,
Desenho-te na areia,
Traço tosco da forma que não tens
Da tua presença que, sem traço,
não me abandona, e te dou
presente que estás,
presente que és
meu
para os outros

Com quem te recusas a permanecer,
Doença vil que és,
Porque não ficas e porque
Eu não te entendo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

-Φ

   As coisas têm evoluído de maneira que... bem...

   Algum resultado na reconfiguração dos meus sentimentos eu obtive pela insistência da análise. A saber, talvez a insistência sobre uma síntese (no sentido Kantiano de juízo sintético) a respeito do meu apego à Koshka, que o situa como um engano pelo qual eu tenho responsabilidade parcial. Pelo que desisti de me enganar (supor que Koshka pudesse ser Φ -- uma espécie de complemento de tudo o que me falta), mas não preciso desistir de gozar daquilo que me é oferecido com tanta gentileza e carinho (ou seja, de a, alguém que materializa parte disso que me excede).

   No meu desamor, talvez uma dificuldade de enxergar adequadamente essa exceção... ou talvez porque o outro não se coloque nessa posição (e não é possível, nem a mim e nem a esse outro, ter certeza -- e, na verdade, nem a ninguém, resguardadas as proporções). Talvez alguma coisa possa ser feita a esse respeito... talvez, se uma parte de imaginário faz parecer que não há Outro nesse outro, esse imaginário possa ser substituído...? Talvez seja preciso que alguma coisa venha desde o outro lado (A)... posso acreditar que tenho algo a fazer aqui sem me enganar para além do que já estou enganado? Talvez seja mesmo me questionar, por enquanto, sobre o que seja isso que me impede de gozar dessa maneira sublime que é o contato com o segredo de uma Outra sensibilidade (e isso me faz imaginar ao menos uma situação em que, na verdade, isso é mentira - quero dizer, o juízo sobre esse "impedimento" não vale).

    Sinto que ainda há uma espécie de deslizamento para "Φ Koshka", como se as imagens atuais de outras situações de carinho escorressem para lembranças desse objeto. É um processo metafórico, no sentido que parece impedir minha metonímia de seguir seu caminho ao redor desse buraco que é o desejo (-Φ).

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Reflexão sobre o que seria a relação com um Outro.

   Renascemos das cinzas.

   Volto a escrever porque sou obrigado - eis uma das sensações que provocam esse título. Uma noite ao lado de alguém que tanto ocupou esse espaço "a" (de objeto a) em nosso fantasma nos fez sonhar com uma outra pessoa (que ocupou esse espaço igualmente bem, pelo que ainda nos resta desse sonho nas entranhas). De fato, esses pequenos outros parecem falsificar ou simplesmente ilustrar aquilo de que "realmente" se trata. Assim, talvez, como falar de um grande Outro é falsificar aquilo de que realmente se trata ($, ou seja, nós mesmos, mas não esses que pensamos que somos, a imagem sempre distorcida que temos de nós, ou seja a').

    Dar conta teoricamente de meus problemas tem me afastado de dar conta deles.

    Sonhei. Um beijo no pescoço é um gesto encantador. Inclusive para se retribuir.
    Também uma beijoca nos lábios. Aquela do reconhecimento... do bonito reconhecimento que recebi anteriormente, que me deu mesmo essa sensação de beijoca - que é, com certeza, uma erotização da coisa, mas enfim. São mesmo essas pessoas que ocuparam esse lugar a no fantasma, que ultimamente estiveram me reconhecendo também um pouco nessa posição a, pelas quais me sinto muito confortável no a' (vivendo essa ilusão de mim mesmo). Essas pessoas é que aparecem (ao meu lado e no sonho), me fazem sentir essa sensação tão gostosa, essa tensão que nunca sara com a beijoca no pescoço do sonho ou o reconhecimento no cotidiano, e que parece mostrar onde eu gostaria de estar, ou o que é fundamentalmente S1 (o desejo do desejo do Outro), e demonstrar, pela cinematografia onírica, por que (ou melhor, pelo que) estou sempre em dívida: é pela beijoca no pescoço.

    Agradecimentos ao meu analista.

domingo, 7 de agosto de 2016

Potência e limites do que seja a subjetividade

    Obs.: tentar lembrar de por que escolhemos esse título... era sobre o tema que apontamos com a flecha logo abaixo. Ele parece se dividir nessas duas questões: qual a potência da afirmação da subjetividade? Quais seus limites? Para nós (é preciso explicar rapidamente): uma afirmação de subjetividade não pode ocorrer para além da descontinuidade da realidade no que ela é atravessada pela normatividade vital (bios); assim, toda subjetividade é plenamente sujeitada às contingências, sem estar, ela própria, excluída de maneira alguma dessas mesmas contingências. E parece que seu efeito "subjetivo" é justamente uma apreensão "consciente" de que sua normatividade está incluída na determinação do real.

    Este texto continua o Espelho Cristalino e não os meus esforços para constituir uma Genealogia do Amor. A quem deseja saber desta segunda, restará portanto aguardar nosso próximo texto. Sobre ela, entretanto, quero pedir paciência a quem nos lê: primeiro, pelo que eu já disse (porque não será desta vez que se poderá ler sua continuidade); segundo, porque retoma inúmeros textos, sem necessariamente concordar com eles e, na verdade, discordando profundamente da maioria; terceiro, por constituir-se, sobretudo, numa revisão das reflexões de um amante amargurado sobre seus sofrimentos (mais do que numa pesquisa que procure fazer sentido para algum "público geral").

    Mas a anotação que neste texto eu pretendia era a seguinte:

    => O tema subjacente à maioria de minhas reflexões tem sido, sem que eu o perceba, a posição do paciente de qualquer clínica, assim como a posição da subjetividade diante de qualquer norma. Preciso empreender uma longa reflexão a respeito da natureza da liberdade, e a bibliografia brota como lava fervente nos meus pensamentos: Walden II e o texto teórico skinneriano cujo nome não recordo e que trata da liberdade; O Nascimento da Clínica (Foucault); textos do socialismo libertário latinoamericano sobre o que sejam a liberdade, a rebeldia, a individualidade, a subjetividade; Os dois primeiros seminários de Lacan...

   No interior das reflexões técnicas que toda vez me assolam, surge sempre a relação liberdade-norma, quase como se fosse espontaneidade-norma, quase como uma fenda onde minha reflexão critica mas não consegue superar o medo, a tradição, o instituído.

   Preciso lembrar de seguir por esse caminho. Também tenho que lembrar do vínculo disso com uma pesquisa que estamos construindo, uma ideia de artigo que tivemos [refletir sobre a função desse artigo], e lembrar de utilizar a Ferramenta de Reflexão NSP a/b [também lembrar de adicionar essa Ferramenta à nossa página de Maquinaria Rebelde]. A hipomania confunde-se com a compulsão e sabemos que é hora de dar tchau.

   Abraçocaas. <3

   PS.: também preciso recordar de considerar minha implicação enquanto paciente (de análise), militante-paciente (de SUS e de Besta) e militante nessas questões (posição do paciente, posição de sujeição/subjetivação em relação à norma, etc.)