sábado, 16 de novembro de 2013

O Grande Coração

   Que meus pensamentos mudem, que meus posicionamentos mudem.
   Que minha base epistemológica mude e meu estilo mude... Tudo isso há de fato de acontecer e creio que está acontecendo... tem acontecido, amadxs druguis.
   Quase nada vos posso esquezetar do agora e, de qualquer forma, um dobóg-dizer do agora necessariamente passaria pelo passado... e por todas as coisas starres das quais ainda tento me livrar... coisas para "desatravessar". Nesse caso, parece que a imagem de uma grande estaca de ferro que atravessa a carne talvez seja a melhor. E ela sangra quando a gente mexe.
   
   Olá, amadxs.
   Este é o presente sem passado, é a ponte que me conduz apenas a vocês (um sneety fenomenológico).
   Olá, amadxs, este é o presente cheíssimo de passado e atravessado, em todas as carnes, todos os ossos, por grandes correntes, fluxos inescapáveis de mil líquidos coloridos.
   Não tenho muito tempo e nem sequer sei exatamente sobre o que escrever. Pensei que isso realmente seria rápido de escrever e isso realmente o é, porque é apenas o króvi, vermelho-vermelho como sempre. Escuro na notchi.

   Que o velho idîn, Idîn, me leve até o luar de sempre, o lugar de sempre, é de se esperar.
   Que Romeu, vosso humilde narrador, possa levar este corpomente a um lugar melhor, a um novo amor (e não apenas um novo objeto) menos cheio de dor, isso é desejo, muito mais do que esperança e muito mais do que futuro. Moldará o futuro. Fará ser.

   Será?

   Abraço, amadx droogies do coração que se acaba e nunca acaba, O Grande Coração.
  Romeu.

domingo, 28 de julho de 2013

Carta à Banda

   Olá, amadxs.
   Este pequeno texto é, com certeza, o mais difícil (e, singularmente, o mais importante) que já escrevi neste pequeno pedaço do cybermundo-imundo. Dirijo-me, aqui, não só às bocas do rotaico, mas também a todas as lindas crianças pelas quais me apaixonei ao longo do ano passado (2012) e às quais, a partir de certa data, passamos a chamar de "Banda".
   Muitos de vocês jamais leram o que, a princípio endereçado apenas a vocês mesmos, escrevi por aqui. Outros, pararam de ler o que tenho escrito há algum tempo (o que posso considerar como fruto de meu relativo afastamento da cybercoisa que chamamos Notchi Feliz, mas que também atribuo, ao menos em parte, ao processo do qual passarei a tratar mais adiante). Aos druguis da Banda que continuaram lendo isto aqui, mas também a todos os demais leitores, peço licença para abandonar, neste texto, boa parte do linguajar que tenho utilizado em meus escritos (e, mais ultimamente, esquematizado no dicionário), para que possam entender-me (sem desistir da leitura) todxs xs druguis que não estão habituados às nossas "impalavras".
   "Vossso humilde narrador" (eu mesmo), desde o início, tanto em nossos encontros quanto neste cybermundo-imundo e em todos os meios de nosso contato, esteve preocupado em transmitir algumas mensagens, questionadoras do sistema  vigente (mesmo no "microespaço", falando de nossas pequenas ações do dia a dia). A Banda sempre foi um grupo diferente e especial, cujas atividades possuíam, em si, um sutil (porém poderoso) caráter de inovação e desconstrução. De certa forma, lidxs amigxs, era esse caráter o que tornava nossas reuniões e nossos contatos tão intensos e divertidos. Nossas notchis, agitadas e, ao mesmo tempo, acolhedoras e aconchegantes, eram-me importantes porque, nelas, podia-se respirar o ar de uma juventude amorosa, de um calor inspirador e livre. Tínhamos conversas profundas e, ao mesmo tempo, ríamos das piadas menos escrupulosas; Abraçávamos uns aos outros sem pudor ou remorso, mas também compartilhávamos nossos sofrimentos cotidianos e apoiávamos uns aos outros.
   O que me entristece a respeito de nossas notchis, entretanto, caros druguis, é que, como vocês já devem ter percebido, tenho de conjugar nossas melhores experiências e características no passado. Sinto que a maior parte do caráter revolucionário de nossos encontros, diálogos e discursos morreu, aos poucos, sem que percebêssemos. Entristece-me mais ainda pensar que, possivelmente, poucos de nós perceberam e hoje, como eu, sentem falta desse caráter.
   Nossas notchis deixaram de traduzir-se pelo amor que tínhamos pelo grupo e uns pelos outros e passaram a focar objetos x ou y, de modo que, atualmente, nossos encontros não funcionam se seu disparador não for um jogo, um show ou uma (e de preferência muitas, muitíssimas - heh) substâncias alcoólicas.
   Não há culpa nesse processo que aqui aponto (e vocês podem conferir minha posição a respeito de "culpa" em meu texto anterior). Mas há pelo menos um sujeito ferido por essa história, e sou eu, porque sinto falta do amor liberto e das conversas que, apenas com vocês, caros amigos, pude ter até hoje.
   Talvez este seja apenas o discurso saudoso de um jovem que distanciou-se de seus melhores amigos.
   Talvez não.

Romeu.

domingo, 21 de julho de 2013

Plusnovo Toltchoque à Meritocracia

   Volto a escrever neste pequeno pedaço do cybermundo-imundo, hoje, para vos propor algumas problematizações, dodîno druguis. Dirigirei umas slovos de toltchoque que julgo pertinentes à meritocracia que tenho videado presente em meio aos nadsats e à esquerda em geral, assim como, se possível, a algumas posições nitidamente starres de meus próprios druguis com as quais me tenho chocado.

   Por estes dias, ("ó meus irmãos,") deparei-me com o discurso de uma devotchka que fez pular todo o meu desejo por ultraviolência. Esquezetava ela pretendendo que as líudes que se engajaram recentemente aos protestos e manifestações de um determinado grupo organizado tivessem menos direito a galoz que os mais starrezinhos, na ideia de que os últimos possuíam maior mérito. "Ora," messeiei eu com meus botões, "se te dás à meritocracia, querida drugui, sugiro que vás militar junto à direita" (esqueci por um momento - e peço perdão, hehe - que a direita não propriamente "milita"). Se "perdoáreis" o malenque porém voni ódio por trás de meu messel, pretendo dialogar com meu antigo texto sobre meritocracia¹ ("Culpa? Vish! Desculpa, Sociedade...") e também lho complementar, para construir uma discussão interessante e mais teen.
 
   Na base da praxis revolucionária que adotamos em nossas djisnes, meus queridos, está o descrédito à meritocracia burguesa. Ela trabalha como se houvesse uma essência "à parte" nos seres humanos (talvez a alma, dada aos mesmos pelo carneirinho)², dobóg ou dodrûs, intocável ao contexto, que define seu comportamento e sua "relação com o meio" (admite-se, nessa concepção, uma conveniente diferenciação entre o sujeito e o mundo). Assim, o ser humano é culpado ou digno de mérito a depender de seu comportamento, suas decisões, as que faz "apesar do meio". Ignora-se que o sujeito é processo deste mesmo meio, videando-se o primeiro como agente numa "interação" com o último e nunca como seu produto. Essa distância do ser humano de sua materialidade imagina-o, ainda, como um jogador, num jogo onde as regras são iguais para todos e todos têm as mesmas condições (afinal, esse não é o jogo do mundo material - o sujeito está plusdistante do mesmo!).
   Messeio ser videável que a adoção da exposta concepção de "psique" tende a reproduzir os messéis mais risíveis da direita conservadora. Falta, entretanto (e apenas geralmente), é aprofundamento suficiente para compreender a igualdade de premissas entre nossas afirmações exemplos (A e B), abaixo:

A) "a culpa é da classe média, que tem condições para compreender os problemas da sociedade mas nada faz" 

tem mesma concepção de "psique" (quanto à "relação com o meio") de

B) "a culpa é do pobre, que não quer economizar, trabalhar duro e 'ascender socialmente'".

   Tanto em A quanto em B verifica-se uma crença na existência de algo no sujeito alheio à "materialidade": tanto a classe média pode ter as condições necessárias para compreender os problemas sociais e, ainda assim, não compreender, quanto o pobre pode não ter condições para ascensão econômica e, ainda assim, ascender. Agora, meus queridos druguis, eu vos pergunto: se não é a condição "material" que determina tais fatos (ou mesmo todos os fatos), o que será?

Por certo, há de ser Aten, nossa dobóg e querida divindade.

   Cansado agora, ("ó meus irmãos,") recolho-me agora a espatar (que, pois é, ainda vôn espatei), e deixo a proposta crítica à acomodação de alguns de meus druguis para uma próxima oportunidade.
   Abraços calorosos e cheios de genitalidade, com muito amor a todos vós e esperando que tenhais matado a saudade ("que presunção!");
 
Romeu.

PS.: Possivelmente ainda corrigirei este texto, então perdoai-me, meus amados, se relêreis este texto diferente amanhã ou depois;

Notas:

1- Entendo que as conclusões feitas a respeito da culpa podem ser invertidas (trocando-se os resultados materiais moralmente indesejados, presentes na culpa, por resultados agradáveis à moral) e aplicadas também ao mérito;
2- O exemplo dos seres humanos é especialmente comum e infestado de afetos contraditórios, mas o mesmo aplica-se também a todos os frutos da cultura e/ou à própria, como um todo.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Lacrimogêneo

lacrimogéneo 
adj.
1. Que provoca a secreção das lágrimas.
2. Que faz chorar.

(fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Disponível em <http://www.priberam.pt/DLPO/default.aspx?pal=lacrimog%C3%AAneo>);

   Mais do que o gás que nos faz tossir e lacrimejar, enquanto sentimos queimarem nossos glazes e nossa gorlo, lacrimogêneo é videar (", ó meus irmãos,") que, finalmente, os nadsats acordaram para uma parcela da repressão exercida pelos cães do ingsoc. Lacrimogêneo, por outro lado, é saber que, em sua maior parte, ela ainda é invideável. Meu recado, receio, é tão necessário que é uma pena que permaneça apenas neste pequeno pedacinho do cybermundo-imundo.

    Serei direto. Tenho a esquezetar:

A) Do sectarismo; que, na manifestação grupal, o que importa são as causas que nos unem, não as que nos separam. Quando aceitamos nos apropriar da galoz de muitos, muitos, tantos de nossos irmãos, temos de aceitar que cada um deles é uma pessoa diferente: possui suas particularidades e suas discordâncias em relação ao que pensamos. A união, entretanto, como sabeis, serve à força. Essa é a função de idîn. Não cabe a nós tentar calar nossos irmãos, mas, mais do que isso, dialogar, encontrar os pontos comuns e tentar focar neles. Se isso não for possível, entretanto, a prioridade deve ser da liberdade de expressão: não é por sermos contra O Partido que podemos agir como ratos do ingsoc e reprimir a expressão de nossos irmãos.

B) Do "vandalismo"; que, caso considereis tudo o que a teletela voni chama de "vandalismo" como algo necessariamente ruim, não estais a considerar que a posse privada, ao menos da forma como apresenta-se para nós, na sociedade, NÃO É JUSTA, NÃO É LEGÍTIMA. A repressão da liberdade sexual, a lavagem cerebral e a ditadura do capital NÃO SÃO PACÍFICAS. Elas geram miséria, assassinatos, GUERRAS... violências inumeráveis, ("ó meus irmãos,") muitíssimo mais ultraviolência do que geram pichações nos veículos de transporte que deveriam nos servir e, na verdade, abusam de nós, ou do que enfrentamentos com os nossos queridos escudeiros do ingsoc, que fazem exatamente o mesmo, ou do que a destruição de lugares que exploram nosso massante trabalho, ignoram nossa pobreza e não apoiam a nossa luta. Se sois contrários à ultraviolência de alguns de nossos druguis, queridos, é porque não videais que ela é só a resposta desesperada (e quase sempre legítima) à violenta repressão que O Partido exerce sobre nós todos os dias de nossas djisnes. E nem estou esquezetando dos ataques pontuais, messeiados, planejados, cujo fim é a mudança (para melhor) de nossa sociedade.

C) Do próximo passo; gostaria de indicar que é necessário que sejamos conscientes de nossa utopia, que saibamos pelo que estamos lutando e como chegaremos até lá. O momento é propício à proliferação de discussões inúmeras e à produção de um método revolucionário consistente e combativo, capaz de originar verdadeiras mudanças em nossa sociedade e na forma de videar o mundo de nossos queridos irmãos e irmãs, lovequxs e devotchkxs deste mundo-imundo.

Tenho muito a fazer, meus irmãos, e vos deixo, por hora, com apenas isto.
Amo-vos muito.

Romeu.

domingo, 26 de maio de 2013

Cá e de Volta Outra Vez - Utopia: A Ação Direta Positiva

   Olá-olá, queridos droogies.
   Eis que tendes minha verbal companhia novamente e que, portanto, dirijo-vos novamente a minha humilde slovo para esquezetar.

   Sem as costumeiras demais delongas, trarei a seguinte questão à baila: as discussões e a ação direta da maioria das organizações "de esquerda" - e de todas as que, até hoje, "vosso humilde narrador" conheceu - trabalham com um ponto de vista "patologicista". Buscam diagnósticos de problemas sociais e veem, na luta e/ou através da mesma, o remédio para a patologia diagnosticada. Entretanto, os pressupostos de tal método ficam um pouco implícitos. Se considera-se que há uma patologia, considera-se também que há uma saúde. Se há sociedade problematizada e doente, há uma sociedade ideal (uma utopia) e "saudável";

   a) Um Exemplo

   Tomemos um exemplo qualquer, um exemplo ilustrativo - o mais atual e completo que tenho em mente é a discussão de gênero e o combate a homofobia. Vejamos a situação que esse exemplo nos oferece, resumidamente e dentro das possibilidades que nossa construção precária de saber possibilita.
   Temos, antes de tudo, uma história de luta que baseia-se no combate à opressão, que é tomada como uma patologia: a homofobia. Contra isso, pode-se argumentar que o termo homofobia é mais recente que a opressão aos homossexuais. De fato, é verdade que o termo é muito mais recente e tornou-se realmente popular, ao que me parece, apenas nos últimos anos. Entretanto, independentemente disso, definamos que a patologização consiste na definição do contexto que é necessário alterar para chegar à saúde (que, num contexto humano - e portanto cultural - é sempre uma definição ético-política: depende de um contexto, um ponto de vista, e deve ser analisada com os glazes nas implicações). Assim, por exemplo, nessa definição, esquezetar que gripe é uma patologia não é falar de um vírus cuja essência é a doença, mas sim do contexto em que esse vírus torna um organismo doente - o que quer dizer que temos, para esse organismo, um conceito de doença e saúde, definido por determinados princípios.
   O que seria, então, dizer que a homofobia é uma patologia, segundo nosso conceito? Significa dizer sim que existe um estado de saúde social (nossa utopia, como queremos que nosso mundo-imundo fique) e que, no contexto em que estamos, existe uma coisa chamada "homofobia" que separa, nesse aspecto, o status quo da utopia. Dentro desse ponto de vista, entretanto, toda luta envolve uma patologização (mesmo que não se admita), tendenciosa (porque política) e  precária, porém necessária, tanto quanto é a filosofia à ciência.

   b) Crítica ao Método

   Eis que patologizo, por assim esquezetar (já exercitando o conceito que desenvolvemos acima), agora, o método de ataque à patologia, que se utiliza, em geral, nas organizações de esquerda, como já disse acima. Não quero esquezetar, devo ressaltar (ou ressalvar - heh), que sou contra a luta combativa. Vôn luvêr isso. Sou, na verdade, a favor de a) uma maior consciência de nossa luta através do conhecimento de nossa patologização (saber o qual é nossa utopia - nosso ibóg - e o que a faz diferente do status quo) e b) a ação direta construtivista/utópica/positiva (ver mais a seguir, por favor, antes de crarcar qualquer coisa por aí), paralela ao ataque às patologias.
   Patologizo o a luta, assim, a luta cega e inconsciente da própria utopia, patologizo a desconstrução que não vise a reconstrução. Faço-o por perceber quanto ódio se criou por videar no homofóbico - ver nosso exemplo - um vilão, ao invés de amá-lo e compreender que ele não É a patologia e que a segunda não passa de um  fenômeno social.

   c) Utopia

   A ação direta construtivista/utópica/positiva que proponho é, por sinceridade, o centro do que "vosso humilde narrador" faz em seu cotidiano, gavoretanto com seus amigos, escrevendo e produzindo. Trata-se de construir uma mudança partindo do ponto de vista da construção: construir idîn, construir Ma'at, construir ribeldá, etc.
   Sempre baseada em uma utopia, vista como um projeto de mundo melhor, ela é necessariamente um ato político: agrega pontos de vista e visa o ibóg no qual se acredita.
   Positiva, no sentido em que atua pela lógica da adição (construção) e não da subtração de patologias, como acontece na luta combativa, ainda que geralmente envolva uma desconstrução anterior ou paralela e, também, uma mudança e portanto uma patologização do status quo.
    Por fim, gostaria de repetir que o que proponho não e a abolição da luta, mas sim uma luta mais consciente e uma constante atividade de construção a ela paralela.

    Cansado agora, queridos, estou indo espatar e ter belos sneeties com meus mais belos druguis.
                                                               Ludîn êo;
                                                               Dupliplus gostosos huggy-hugs!

Romeu.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Dostarre Nadsats

Hoje falarei àqueles loveques e/ou devotchkas impregnados do velho estilo, aos starres de espírito, os nadsats vônteens, que, há muito tempo ou recentemente, perambulam por este mundo sem esperança, sem vontade e sem prazer. Vós cujo glazes só videiam o que é dodrûs, engrandecem a escuridão do mundo para compensar o escuro que dentro de si, em seu âmago, o ingsoc tratou de implantar.
A vós que olhais para o mundo com os glazes de vossos pais (que, por sua vez, provavelmente ainda têm os glazes de vossos avós), tenho a dizer, primeiramente, que vos amo. Amo porque creio que o idîn é solução - porque é entendimento, porque é união que torna os unidos mais fortes - para muitíssimos de nossos problemas e corrige posturas moralistas substituindo-as por condutas que visam o benefício direto ao indivíduo (mas que estão longe de ser, no sentido dodrûs, "individualistas").

O ódio é o maior de vossos problemas, queridos: "odiais vosso próprio ser, odiais o mundo e odiais o fato de que odiais a todo momento" (Hatebreed), sem nem mesmo perceber, druguis, pois esse mundo é tão normalmente odioso e obviamente angustiado que tais coisas vos parecem inerentes à humanidade. Mas elas NÃO SÃO. O ódio é nada se não o fruto da solidificação de um entendimento neurótico, como já demonstrei, em Ultraviolência e Ódio. O fato que muito se parece construir e destruir através de ódio não é uma amostra da força dele próprio, mas sim do afeto humano (seja ele amoroso, odioso, alegre, tranquilo...). Nosso aparelho psíquico tem, de fato, o poder de unir todo o ser por um objetivo e de realiza-lo, por isso, com extrema habilidade. Esse poder, geralmente atribuído ao ódio, entretanto, existe também no amor, na tranquilidade e em todas as formas de concentração de poder individual ou coletivo. Porém, quando estais presos ao ódio, vos direcionais a um fim que não é racionalmente benéfico (pois a projeção do mal em um ser específico, feita pelo ódio é, como vimos (também no texto de 23/12/12), errônea, sendo que podeis encontrar muitíssimos exemplos exemplos disso na história (na Santa Inquisição, nas Grandes Guerras, no famoso Atentado de 11 de Setembro). Assim, o ódio torna-se apenas mais uma ferramenta, das líudes que vos querem ver destruídos, para concretizar tal desejo.

Se vos conseguistes compreender intelectualmente o ódio (visto que a libertação afetiva do ódio - que consiste em parar, de fato de gerar ódio - é um processo individual bastante complexo e que exige muitíssimo tempo), aponto-vos o segundo fator que vos envelhece, vos prende na autoridade do que foi dito por vossos ascendentes: o medo. Este pode ser considerado como a origem do ódio, na verdade, e, em determinado sentido, como integrante original de toda neurose. Ora, nenhuma prisão que não é fisicamente sustentada pode sê-lo por algo que não o medo, e este pela ignorância. Surgindo como uma forma afetivamente ignorante de defesa, o medo torna-se a base de muitas concepções equívocas: torna-se motivo para fechar os glazes, para não sentir o desprazer gerado pelo que se teme. O principal meio de combater o ódio, torna-se, assim, muito evidente: compreender, sentir e enfrentar. Desfazer o que, na história do indivíduo e da coletividade, gerou e propagou o medo.

A juventude que tereis de volta, ao enfrentar e superar vossa ignorância, vossos medos, vossos bloqueios, e vosso ódio, é a coragem de progredir, a coragem de estar no mundo, de enfrentá-lo e de senti-lo: tudo o que, em suma, vos levará, em nosso conceito aberto e livre de amor, a amá-lo.

Um beijo, amados;
Romeu.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Um Poema para Abraçar-vos, amores

Olá, novamente, irmãozinhos fofos.
Desta vez serei um pouco mais egoísta em minha postagem... Quero escrever algo que me dê forças para continuar... as coisas andam meio destruídas, destrutivas, doentes, velhas e envelhecedoras, por aqui. Poucas coisas têm sido luz... algumas pessoas, alguns lindíssimos druguis de meu coração, apenas. Lá vai, então, queridos. Espero que possa ajudar-vos assim como ajudará a mim:

Luz Que Brilha Para as Crianças

O mundo escurece, a notchi é longa, mas loveques ao redor da fogueira,
Que a eles aquece, trevas afronta, estes conhecem a paz verdadeira,
Pois nada padece, encontra sua cova, menos a slovo, que, má mensageira,
Distorce, entristece os homens que amam, druguis do povo, horda desordeira.

 Das cruzes, as más, sei, o  fogo é drugui, mas não o fogo que esquenta os amantes,
O fogo que faz do mal cinzas, delas novo viver, anarquia de antes.
O dia lilás, tão malenque, cai, nas semanas de trabalho massantes,
Difícil raskazz, boa gente, irmão, e admira-me que não tanto encantes...

Como eu... a mim encanta sentir que o brilho nos olhos destes lindos vence o gelo!
A Romeu, é belo cada devir que o trilho, destino destes lindos, vem trazê-lo,
A quem leu, não vos faz refletir o auxílio à luta destes lindos, num apelo!?

Sem saber, sois novo dia de sol, que abraça o frio e treva, forte, dodîn,
Sois prazer, sois vivo manto de mãe que arrasta o frio, a treva, a morte de mim,
Sois o ser, o uno pranto da terra vasta, no cio: da treva, da morte, o fim.

                                                                                                    Com muitíssimo amor, 
Romeu.